A Festa do Espírito Santo, em São Caetano, na ilha do Pico, na
Terça-Feira de Pentecostes, é uma das mais importantes manifestações religiosas
dos Açores, onde se pode, ainda, vivenciar o caráter genuíno da devoção e da
religiosidade da população.
De tradição secular, as Festas do Espírito Santo são, sem
dúvida, a maior manifestação religiosa dos Açores. Trazidas pelos primeiros
povoadores, no século XV, sobretudo pelos frades franciscanos, inspirados no
culto instituído pela Rainha Santa Isabel que mandou edificar em Alenquer uma
igreja onde se organizaria uma confraria em louvor do Espírito Santo, na qual
se procedeu com solenidade à coroação de um pobre com a coroa do rei, numa
tentativa de exemplificar que perante o Divino todos são iguais e merecedores
de honras e de destaque. Perante este humilde ato, os nobres quiseram repetir a
cerimónia e o rei mandou fazer outras coroas semelhantes para assim se replicar
todos os anos a festa.
Embora esta tradição quase tenha desaparecido no continente
português, é nos Açores e nas comunidades açorianas que perdura ao longo dos
séculos, talvez devido às dificuldades sentidas pelas populações das ilhas, tão
frequentemente assoladas por vulcões e terramotos – mistérios tão devastadores
que urgiam preces e socorros divinos.
A fé manteve-se, a tradição manteve-se, e hoje em
praticamente todo o arquipélago existem as Festas do Divino Espírito Santo,
todavia com especificidades de ilha para ilha.
De uma maneira geral, as festas do Espírito Santo decorrem
durante o Pentecostes e a Santíssima Trindade, 7 ou 8 semanas depois da Páscoa,
e são organizadas por uma irmandade, associação de pessoas comuns das
freguesias, designados por irmãos, que escolhem por sorteio o mordomo ou
imperador, aquele que será coroado com a coroa do Espírito Santo. Esta coroação
reveste-se de grande solenidade, sendo realizada nas igrejas e precedida por
cortejos acompanhados por bandas filarmónicas e foliões que entoam cânticos ao
Divino Espírito Santo. Cabe ao mordomo organizar o bodo, a refeição, da qual
constam as tradicionais Sopas do Espírito Santo, a carne de vaca, cozida ou
assada, o pão de massa sovada e o arroz-doce, tudo acompanhado pelo vinho tinto
produzido para o efeito.
Depois da coroação e do bodo, há um arraial animado por uma banda
filarmónica e nas ilhas do grupo central (Pico, Faial, São Jorge, Terceira e
Graciosa) são distribuídas rosquilhas, vésperas ou pão.
The ‘Festas do Espírito Santo’ in Azores
The centenary tradition, the ‘Festas do Espírito Santo’ are,
without a doubt, the biggest religious manifestation in Azores. Brought by the
first settlers, in the fifteenth century, especially by the franciscan friars,
inspired in the cult found by the Queen Saint Isabel, who edified in Alenquer a
church where it would be organised a fraternity as a praise to the Holy Spirit,
which proceeded with solemnity to the crowning of a poor with the kings crown,
in attempt to exemplify that under the Holy Spirit everyone is equal and
deserving of honours and spotlight. Towards this humble act, the nobles wanted
to repeat the ceremony and the king ordered more similar crowns to then
replicate the party every year. Even though this tradition has almost
disappeared in the Portuguese mainland, it’s in Azores and the azorean
communities where it persists during the centuries, maybe due to the
difficulties felt by the populations of the islands, so frequently devastated
by volcanoes and earthquakes - such mysterious disasters urged prayers and holy
help. The faith was maintained, the tradition was maintained as well, and today in practically
all the archipelago exist the ‘Festas do Divino Espírito Santo’, however with
specificities from island to island. In general, the ‘Festas do Espírito Santo’
festivities elapse during the Pentecostes and the Santíssima Trindade, about 7
or 8 weeks after Easter, and they’re organised by a brotherhood, group of
common people from the parishes, designated brothers, who chose by draw or
luck, the mordomo or imperador, the one who will be crowned with the crown of the
Holy Spirit. This coronation is put on a lot of solemnity, being executed in
the churches and preceded by processions accompanied by philharmonic bands and
revelers who chant songs to the Holy Spirit. It’s up to the mordomo to organise
the bodo, a meal, in which there are the traditional soups of the Holy Spirit,
the cow meat, cooked or roasted, the massa sovada bread and the arroz-doce,
everything accompanied by red wine, made specifically for the occasion. After
the coronation and the bodo, there is a party, cheered by a philharmonic band
and in the islands of the central group (Pico, Fayal, São Jorge, Terceira and
Graciosa) are distributed rosquilhas, vésperas or bread.
Fotos de Ana Prata Evangelho. Obrigado!
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