segunda-feira, 6 de junho de 2022

Terça-feira do Espírito Santo em São Caetano, Pico, Açores


A Festa do Espírito Santo, em São Caetano, na ilha do Pico, na Terça-Feira de Pentecostes, é uma das mais importantes manifestações religiosas dos Açores, onde se pode, ainda, vivenciar o caráter genuíno da devoção e da religiosidade da população.

De tradição secular, as Festas do Espírito Santo são, sem dúvida, a maior manifestação religiosa dos Açores. Trazidas pelos primeiros povoadores, no século XV, sobretudo pelos frades franciscanos, inspirados no culto instituído pela Rainha Santa Isabel que mandou edificar em Alenquer uma igreja onde se organizaria uma confraria em louvor do Espírito Santo, na qual se procedeu com solenidade à coroação de um pobre com a coroa do rei, numa tentativa de exemplificar que perante o Divino todos são iguais e merecedores de honras e de destaque. Perante este humilde ato, os nobres quiseram repetir a cerimónia e o rei mandou fazer outras coroas semelhantes para assim se replicar todos os anos a festa.

Embora esta tradição quase tenha desaparecido no continente português, é nos Açores e nas comunidades açorianas que perdura ao longo dos séculos, talvez devido às dificuldades sentidas pelas populações das ilhas, tão frequentemente assoladas por vulcões e terramotos – mistérios tão devastadores que urgiam preces e socorros divinos.

A fé manteve-se, a tradição manteve-se, e hoje em praticamente todo o arquipélago existem as Festas do Divino Espírito Santo, todavia com especificidades de ilha para ilha.

De uma maneira geral, as festas do Espírito Santo decorrem durante o Pentecostes e a Santíssima Trindade, 7 ou 8 semanas depois da Páscoa, e são organizadas por uma irmandade, associação de pessoas comuns das freguesias, designados por irmãos, que escolhem por sorteio o mordomo ou imperador, aquele que será coroado com a coroa do Espírito Santo. Esta coroação reveste-se de grande solenidade, sendo realizada nas igrejas e precedida por cortejos acompanhados por bandas filarmónicas e foliões que entoam cânticos ao Divino Espírito Santo. Cabe ao mordomo organizar o bodo, a refeição, da qual constam as tradicionais Sopas do Espírito Santo, a carne de vaca, cozida ou assada, o pão de massa sovada e o arroz-doce, tudo acompanhado pelo vinho tinto produzido para o efeito.

Depois da coroação e do bodo, há um arraial animado por uma banda filarmónica e nas ilhas do grupo central (Pico, Faial, São Jorge, Terceira e Graciosa) são distribuídas rosquilhas, vésperas ou pão.



The ‘Festas do Espírito Santo’ in Azores

 The centenary tradition, the ‘Festas do Espírito Santo’ are, without a doubt, the biggest religious manifestation in Azores. Brought by the first settlers, in the fifteenth century, especially by the franciscan friars, inspired in the cult found by the Queen Saint Isabel, who edified in Alenquer a church where it would be organised a fraternity as a praise to the Holy Spirit, which proceeded with solemnity to the crowning of a poor with the kings crown, in attempt to exemplify that under the Holy Spirit everyone is equal and deserving of honours and spotlight. Towards this humble act, the nobles wanted to repeat the ceremony and the king ordered more similar crowns to then replicate the party every year. Even though this tradition has almost disappeared in the Portuguese mainland, it’s in Azores and the azorean communities where it persists during the centuries, maybe due to the difficulties felt by the populations of the islands, so frequently devastated by volcanoes and earthquakes - such mysterious disasters urged prayers and holy help. The faith was maintained, the tradition was  maintained as well, and today in practically all the archipelago exist the ‘Festas do Divino Espírito Santo’, however with specificities from island to island. In general, the ‘Festas do Espírito Santo’ festivities elapse during the Pentecostes and the Santíssima Trindade, about 7 or 8 weeks after Easter, and they’re organised by a brotherhood, group of common people from the parishes, designated brothers, who chose by draw or luck, the mordomo or imperador, the one who will be crowned with the crown of the Holy Spirit. This coronation is put on a lot of solemnity, being executed in the churches and preceded by processions accompanied by philharmonic bands and revelers who chant songs to the Holy Spirit. It’s up to the mordomo to organise the bodo, a meal, in which there are the traditional soups of the Holy Spirit, the cow meat, cooked or roasted, the massa sovada bread and the arroz-doce, everything accompanied by red wine, made specifically for the occasion. After the coronation and the bodo, there is a party, cheered by a philharmonic band and in the islands of the central group (Pico, Fayal, São Jorge, Terceira and Graciosa) are distributed rosquilhas, vésperas or bread.

Fotos de Ana Prata Evangelho. Obrigado!






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